Solução provisória. Desde a crise de agosto de 2014, quando o Vasco não tinha dinheiro em caixa, a análise da situação financeira indicava que o Clube não podia mais recorrer a empréstimos. A crise do Vasco se agravou com o passar do tempo e a adesão ao Profut, instrumento de renúncia fiscal em benefício de clubes de futebol, acarreta mais pressão no sentido de os clubes buscarem formas alternativas de se financiar e evitar a velha prática. A “antecipação de direitos de imagem” é o símbolo da falência da gestão do Vasco, ocorrida no final do século XX, época da passagem do Vasco glorioso para o Vasco decadente, o ponto de inflexão na História do Vasco, identificado por pesquisas preliminares do PV. Assim o pleito da atual Administração ao Conselho Deliberativo precisa ter caráter provisório.

O Serviço da Dívida é crescente. Mais empréstimos significa mais dívida que significa mais Serviço da Dívida (pagamento de juros e parcela da dívida) em cenário em que a trajetória da Dívida com o Tesouro Nacional é crescente. O que ocorre, até certa fase, devido à inércia decorrente das regras do Programa de Responsabilidade Fiscal – Profut – ao qual o Vasco aderiu em agosto de 2015. Vejamos:

  1. O Vasco começou a ter os benefícios do Profut em setembro 2015. Resumidamente, redução de multas e juros, parcelamento em 240 prestações e benefícios de redução dessas prestações em três fases: 50% até a 24ª prestação; 25%, da 25ª até a 48ª; e 10% da 49ª até a 60ª. Esse escalonamento está definido no Art. 7º § 6º da Lei 13.155.
  2. O Serviço da Dívida junto à Fazenda Nacional cresce porque a dívida cresce até pelo menos o quinto ano (o ponto preciso depende da Selic e da opção pelo desconto) porque acréscimos de juros e correção monetária são maiores do que as parcelas pagas. E cresce quando as reduções das prestações ocorrem. Só por esse último efeito, haverá aumento de juros e amortização da dívida com o Tesouro até agosto de 2020.
  3. Por sua vez, o déficit orçamentário de 2019 não pode ultrapassar 5% das receitas de 2018, de acordo com o Art. 4º, Item V da Lei 13.155. Embora em 2019 as antecipações da gestão anterior tenham sido menores, a crise não se atenua devido ao Serviço da Dívida maior e ao limite do déficit menor.

Índices de falência altos. Esse quadro permite prever que a crise financeira do Vasco se agravará. A relação Dívida/Receita está em torno de 3,8 e o quadro de sócios não garante receita anual equivalente a um mês de alguns clubes concorrentes. Para piorar, é provável que o déficit deste ano de 2018 continue alto, principalmente quando se exclui o valor da venda do jogador Paulinho, que não sendo receita corrente, não deve constar de análises gerenciais como receita e sim como desinvestimento. Nesse cenário, a chance de perder os benefícios do Profut é alta, e, se isso ocorrer, o fim do Vasco, como clube de 1.ª Divisão, é inevitável.

Nada de novo no cenário. O que deve ficar assinalado é que a crise financeira do Vasco não é novidade para ninguém que acompanha o Clube desde 2014. Os números são desconfortáveis mas não surpreendentes. E a solução para contornar a crise não pode ser aumentar a dívida porque, também todos sabem, esse expediente adia o problema para o futuro. É enganoso e só vai agravar a crise financeira e precipitar a falência do Clube.

O Gol e o dinheiro. O Gol é função de quatro variáveis principais: Dinheiro, Gestão, Psicologia e Álea. O Vasco precisa de R$ 200 milhões para administrar bem a Dívida e reduzir o custo de juros e o valor da amortização, cifra que equivale a 35% do montante do fundo que Julio Brant diz ter, ao câmbio de R$ 4,80 por euro. E precisa de Gestão Profissional para o Futebol, exercida por administradores de empresa e especialistas da área. É essa a opção, pois o futebol se tornou uma atividade econômica, mesmo em estrutura de clube. O Vasco só tem uma chance: conseguir dinheiro que não seja de empréstimo e nem de venda de patrimônio. Estamos no século XXI e as glórias do passado há muito não balançam as redes adversárias.

A alternativa do fundo de Julio Brant. É preciso ficar claro que as análises aqui expostas se centram nas informações, nos temas discutidos e publicados pela imprensa. Neste sentido, cabe uma citação do Texto para Discussão 17, intitulado “Vasco, ou colaboramos todos ou o caminho do fim”, divulgado neste espaço em 19/03/2018:

“Portanto, cabe escoimar a conduta ‘perdi a eleição sou contra’ e ser a favor do Vasco. Não apoiar a atual administração, com dinheiro e propostas objetivas de reformas, significa ‘ao Vasco nada’. Significa o fim do CRVG, que, não sendo um fim ao pé da letra, é até pior. É o opróbrio sem fim.”

A possibilidade de ter recursos de um fundo estrangeiro foi anunciada por Julio Brant em 2014 e repetida no dia 22/08 no Jornal Extra. Na campanha eleitoral de 2014, instado, por mim, se ofereceria o fundo ao vencedor da eleição daquele ano, Julio Brant afirmou, fiel ao seu estilo, que sim. Não podia ser diferente por se tratar de negócio de interesses mútuos, de um fundo de investimentos, legalmente constituído, e uma instituição centenária, o Vasco. Julio expressou ânimo igual em referida entrevista de 22/08/2018.

Transparência recíproca. A condição fundamental, ressaltada por Julio no Jornal Extra, foi a transparência, sem subterfúgios ou coisas pessoais. Ocorre que a transparência deve ser recíproca, isto é, também é necessária quanto à identificação do fundo, se Julio Brant é o CEO da empresa gestora do fundo, ou é o CEO de empresa que tem alguma função na tratativa, que empresa é e que função tem no negócio. Cabe ao Presidente Campello, a meu juízo, garantir a transparência exigida, obter os esclarecimentos apontados e analisar as condições do fundo com vistas a um negócio equilibrado. E a Julio avançar em sua oferta, mesmo para que não leve a pecha de que apenas busca se promover com a desgraça do Vasco. Tudo em prol do Vasco.

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