Não é qualquer time que sofre um gol de seu principal rival, aos 38 segundos de jogo, que consegue não se abater. Não é qualquer time que enfrenta o líder do campeonato, com 35 pontos de diferença, e se impõe, como se 10 posições não os separassem na tabela. Não é qualquer time que, na modesta luta por uma vaga na Sulamericana, enfrenta o atual finalista da Libertadores e não toma conhecimento da boa fase que o adversário atravessa, ao contrário da sua. Não é qualquer time que enfrenta uma equipe invicta há 19 jogos e se propõe a acabar com a série. Se o Vasco não é qualquer clube, esse elenco, ontem, mostrou não ser qualquer time. E sejamos justos: graças ao técnico Vanderlei Luxemburgo.

Além de tirar o time da Colina da lanterna do Campeonato Brasileiro, mesmo com um plantel limitado, o Professor deu brio a cada atleta da equipe – exaltando a cada preleção a grandeza do Vasco e a importância de se reescrever esse capítulo sombrio de nossa história – e fez com que o torcedor comprasse a briga do time na luta pela parte de cima da tabela. Não há vascaíno que tenha deixado o Maracanã ou desligado a televisão sem fechar os olhos, respirar profundamente e imaginar novamente que o respeito pelo Vasco, enfim, vai voltar. A soberba declaração do atacante Bruno Henrique, ao fim da partida, dizendo que o Vasco não luta para nada, enquanto eles brigam pelo título, foi a grande acusação do golpe.

Sim, o Flamengo está um patamar acima do Vasco, nesse momento. Estar não é ser. E ontem o Vasco mostrou quem ele é, independente de como ele está. Em um jogo totalmente aberto, de igual para igual, o Vasco não comemora o empate, mas, assim como o Rubro-Negro, também lamenta a igualdade no placar e os consequentes dois pontos perdidos em um duelo que poderia ter se encerrado com vitória cruzmaltina. Alheio à exaltação da imprensa ao Flamengo, que parece receber um status de invencível, os 11 jogadores que entraram em campo com a Cruz-de-Malta no peito provaram que o favoritismo acaba no primeiro apitar do árbitro. Foram 4 gols sobre a terceira defesa menos vazada da competição. 4 gols contra um time que não sofria tantos tentos desde julho de 2016.

Como declarou Luxemburgo, na coletiva de imprensa após o clássico, o Vasco pode, hoje, não estar brigando pelo título, mas, sem dúvidas, trava uma guerra, interna e externa, para recuperar a fama de Gigante no futebol. Vitórias e derrotas são do jogo, mas o que fica desse elenco e de seu comando tático é o comprometimento com a instituição.

Fases ruins, boas fases, tudo passa. O que não passa, ainda mais após uma partida como a de ontem, é o orgulho de ser vascaíno e a convicção de que precisamos voltar a ocupar o nosso lugar de destaque. Muito mais do que qualquer resultado no placar, o que fica é a sensação de que o Vasco Vive, mesmo atravessando um mau momento. É olhas os 11 em campo e identificar o “DNA Cruzmaltino de luta”, como nos tempos de Glória.

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