A temporada de 2019 do Vasco em competições oficiais já acabou, mas a montanha de problemas do Clube se avoluma. De uma campanha desastrosa no começo do Campeonato Brasileiro, a administração do Clube mudou o comando do futebol e o time melhorou. No entanto, em análise crítica, pode-se dizer que o Vasco apenas escapou do rebaixamento que, devido às novas regras dos direitos de imagem de TV, seria trágico. Cabe vigilância redobrada.

O Clube conseguiu mais de 150 mil sócios torcedores em campanha bem sucedida e, também, ganhou o direito a uma vaga na Copa Sul-americana. Trata-se de alento que não se pode desperdiçar com ufanismo inconsequente. É preciso ficar alerta para o significado da renegociação da dívida de 22 milhões com o Tesouro Nacional feita ontem pela Administração do Clube. O significado é direto: agrava o problema do Serviço da Dívida, daqui em diante. 

Cabe destacar que não se pode imputar culpabilidade à atual Administração, pois não havia alternativa, senão renegociar. O que forçou o Vasco a descumprir a Lei 13.155 foi uma sequência de heranças malditas que desorganizaram o Clube e tornaram o Serviço da Dívida um obstáculo enorme a seu funcionamento normal.

Tudo devido ao modelo de gestão superado e à mingua de Capital Humano, condições necessárias à construção do Clube e ao sucesso do time de futebol no gramado. Perdemos grande oportunidade no final do Século XX, como reiterado neste espaço, de nos consolidarmos entre as cinco maiores equipes de futebol do Brasil. E agora, no atual estado das artes, conforme indicador elaborado pelo Pensar Vasco, em 2017, o Clube da Colina, o Gigante, se encontra em fase decadente, próxima da irreversibilidade.

Portanto, com o futuro assim divisado, é preciso que as lideranças vascaínas reajam. Não podemos ficar inertes, ante a decadência lenta do Clube.  É preciso que o modelo de gestão seja mudado para formato indicado pela administração moderna de clube de futebol. Na forma, o caminho que se mostra claro é a Entidade Empresária do Futebol, com personalidade autônoma, juridicamente segura.

É preciso que os vascaínos que detêm o poder de mudança, poder formal e informal, criem condições para atrair investidores, pois capital requer estímulo. Estímulo para empresários brasileiros e estrangeiros, com capacidade financeira de reduzir o serviço da dívida do Clube, que consome em torno de 40% das receitas. As alternativas do Vasco de hoje são Dinheiro ou Dinheiro. Venture capital, na forma sugerida pelo Pensar Vasco, ou de outra forma. Mas sempre, venture capital

Em suma, cabe aos vascaínos criar condições que estimulem o investidor a se interessar pelo business Vasco Futebol. Estatuto e Entidade Empresária, de início.

Francisco de Assis Moura de Melo

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