Gol, nos textos desta série, tem o sentido de meta, além do específico “bola vascaína na rede do adversário”. É a medida síntese da atividade Clube ou Empresa de Futebol. O Gol, como na atividade empresária, é função de um Plano de Gestão (Business Plan) e de um plano de execução. De forma sintética, o sucesso, BR (Bola na Rede), é explicado por quatro variáveis: dinheiro, gestão, psicologia e álea. Simbolicamente: BR = f ($, G, p,£).

As três primeiras são correlacionadas, significando que dinheiro pode determinar a gestão e esta ser fator gerador de dinheiro. O mesmo ocorre entre dinheiro, gestão e psicologia. A psicologia, ubíqua, se manifesta na conduta dos dirigentes e é sinalizada, por exemplo, no número de cartões amarelos e vermelhos dos jogadores (quanto maior, pior o estado psicológico, pior a gestão). A rainha independente é uma só: a álea, o acaso que causa o gol à revelia das demais variáveis.

A pergunta necessária. A combinação das três primeiras variáveis é condição necessária para tirar o Vasco da trajetória decrescente em que se encontra. A pergunta que se faz é: essa condição está atendida, atualmente, em junho de 2018? A resposta precisa ser dada a partir de análise crítica, sem “oba-oba” e nem crítica a priori. Tão-pouco vale o “time ganhou, tá bom” porque a gestão do futebol requer profissionais capazes da análise crítica.

Até o presente, não se identifica projeto de gestão, com detalhes operacionais, que aponte a superação da crise financeira (serviço da dívida em torno de 40% da receita recorrente e deficit fiscal) e que atraia formas de apoio de grupos não dirigentes. A propósito, as chapas concorrentes na última eleição anunciaram iniciativas avançadas para patrocínios da camisa. Pergunta: essa colaboração foi buscada? Por sua vez, não há notícia de reformas estruturais. Logo, com os dados disponíveis, não se pode afirmar que haja qualquer indicador de reversão da trajetória de decadência em que o Vasco se encontra há vários anos.

O que o vascaíno quer. O Vasco tem patrimônio negativo conhecido desde 2011/2012. A crise financeira foi discutida nas duas últimas eleições. Logo, nada é novidade na situação encontrada, eis que todos sabiam, por previsões e estimativas quantitativas, que o Vasco estava quebrado. Auditorias são providências obrigatórias ante acusações de desvio de conduta, além de rotinas a serem adotadas para auditar, periodicamente, a própria gestão como elemento fundamental da transparência, e não de forma esporádica para encontrar culpados do passado. O vascaíno quer saber do presente e do futuro, qual o plano de ação para tirar o Vasco da crise, como e com que recursos.

Quer saber qual o perfil do time em campo. Dada a atual fase de desalento, quer uma mensagem de ânimo dos dirigentes do tipo “nós podemos”. Por seu lado, quer a crítica construtiva, com dados e análises, dos que não pertencem ao grupo dirigente. Vascaínos de verdade não querem, e devem rechaçar, as ações raivosas, insultuosas e sabotadoras. Fazer isso não é fazer oposição, é fazer destruição.

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