Sumário: A condição necessária para que o Vasco reverta a trajetória declinante em que se encontra é ter um estatuto moderno, com a Unidade Empresária para o futebol e o Planejamento Estratégico. Só assim pode atrair capital de risco, a única forma capaz de reduzir o custo da dívida de forma permanente. Sem esse avanço, a gestão financeira do Clube continuará se resumindo a transferir papagaios para a gestão seguinte. O Vasco precisa ocupar um espaço de destaque que a nova Lei do Esporte está ensejando, contribuindo com o Projeto e elaborando seu Estatuto.

Vasco pode liderar. A reforma do estatuto, como dito no texto anterior, não parte do zero, por isso o Vasco tem a chance de elaborar seu novo estatuto ao tempo em que a Câmara dos Deputados elabora um Projeto de Lei para tornar o futebol atividade empresária. Nesse cenário, o Vasco pode ser protagonista, com propostas concretas ao Legislativo. Basta criar uma comissão para cuidar dos dois objetivos. Há muitos vascaínos advogados, no CD, nos grupos políticos e em escritórios de Direito do Esporte. Uma Comissão, com apoio de um economista e um contador, pode realizar a tarefa de consolidar as leis do esporte brasileiro e elaborar propostas para o Projeto de Lei, e de propor, ao CD, o Novo Estatuto do CRVG. Trata-se de contribuição concreta, factível de ser realizada em curto espaço de tempo.

Empresário financiador x solução estrutural. Dizem que o empresário da área do futebol, que financia o Vasco, é o problema. Tolice. O financiador não é o problema, é a solução, enquanto administrar o Vasco consistir em pagar as contas de hoje com o futuro. A típica solução do gestor de hoje que agrava a situação do gestor de amanhã e mantém o Clube aprisionado no círculo vicioso não ganha porque não tem dinheiro, não tem dinheiro porque não ganha. O Vasco teve, até aqui, RS$ 20 milhões de receitas brutas de bilheteria e nosso rival, RS$ 88 milhões. A marca Flamengo, de 2019, deve superar os R$2 bilhões. 16.000 torcedores foram a São Januário no clássico contra o Palmeiras; o Fortaleza, na mesma noite, levou 50.000 ao Castelão. Só mudança estrutural rompe o círculo vicioso do Vasco pequeno.

Às glórias passadas. A reforma do Estatuto plena é necessária para atrair grupo econômico capaz de liquidar a dívida cível do Vasco com deságio, romper o círculo vicioso (pagamento de hoje com dívida de amanhã) e criar um círculo virtuoso para retornar às glórias passadas. Sem reforma, sem a Unidade Empresária do Futebol, não há possibilidade de atrair capital de risco, pois o empresário, amante do risco do negócio futebol, é avesso aos riscos jurídicos e da desordem. É por isso que a reforma do Estatuto deve contemplar a criação da Unidade Empresária de forma autônoma e segura, garantida pelas leis brasileiras.

Resgate da História. É preciso que nós, vascaínos, tenhamos atitude para tirar o futebol da mediocridade. E, sobretudo, para preservar nossa história, que é a história do século XX, que está sendo enodoada pela história do século XXI: presença na CPI da corrupção no futebol, frequência nas páginas policiais, destituição de dirigente, anulação de eleições, humilhação no gramado. E briga de possíveis candidatos à eleição de 2020 para aprovação de fichas de proponentes a sócios à véspera da data final do direito de voto. Cena típica da estória dos facas-cega, estória da tragicidade na pobreza, em versão vascaína grotesca. Briga para endereçar 100/200 votos, inimaginável caso o Colégio Eleitoral do Vasco tivesse 40/50 mil sócios votantes, como pode ter. É preciso resgatar a História do CRVG.

Alternativas. Temos duas alternativas. Uma leva à mudança estrutural que conduz a um círculo virtuoso (dinheiro, vitórias, dinheiro); a outra é manter o sistema atual de fazer dívida para a outra gestão. Os vascaínos que são a favor da reforma querem o Vasco entre os cinco maiores do Brasil, e clássicos com mais de 40.000 torcedores. E aqueles que querem a continuidade do presente, se contentam com o Vasco em 10º lugar e com clássicos com 15.000 pessoas, desde que sejam presidentes ou dirigentes. Portanto, não reformar é fazer o Vasco pequeno, como se fosse para dizer que é seu. Ocorre que o Vasco tem dono, sua torcida, que o quer grande entre os maiores. Torcida que quer o Vasco vencedor.

Apelo à lógica. A briga política no Vasco tem a marca da excessiva animosidade dos grupos políticos. Por isso, buscar união é inútil. Mas cabe o apelo à racionalidade, expressa na ideia de que o Vasco reformado agora ficará em melhores condições para a próxima gestão, benefício para qualquer um dos candidatos. Assim, o lema deve ser

Vamos consertar a Caravela, mesmo que a gente continue brigando.

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