Gandulla e Bellini engrandecem o Vasco; a briga política apequena o Gigante. O Vasco é dirigido por pequenos grupos em conflito, com prevalência do interesse pessoal e não o interesse do Clube. O Pensar Vasco sugere um pacto de paz em torno de um projeto de reformas que sejam acolhidas em Novo Estatuto. Os conselheiros, de todos os lados, devem se conscientizar de que sem as mudanças o Vasco continuará em decadência.

Vascaínos, o termo “gandula” nasceu em São Januário, na década de 1930. O Vasco tinha um meia argentino de nome Bernardo Gandulla. Era o craque buscador de bolas em São Januário. O jogador tinha o hábito de buscar bolas fora do campo de jogo e repô-las ao espetáculo, independente de ser destinada ao seu time ou ao adversário. Graças à forte veiculação dos jogos cariocas, o nome próprio Gandulla se tornou nome comum àqueles que dão sua modesta contribuição ao adequado desenrolar do espetáculo, o jogo de futebol. Gandulla chegou em São Januário no ano de 1939 e atuou em 29 partidas, quase todas como titular. Marcou dez gols.

Vascaínos, Bellini todos conhecemos. Trata-se de um imortal, devido ao gesto de levantar a taça acima da cabeça. Bellini foi o capitão da seleção campeã na Suécia em 1958. Em 1962, também foi protagonista na cooperação a objetivos maiores. Cooperou com o treinador Aymoré Moreira na sua própria substituição por Mauro, que se tornou titular. Mauro teve a glória de repetir o gesto de Bellini. Bellini agiu em prol de uma causa maior.

O que têm a ver os gandullas e os bellinis com a confusão sobre a viagem do Presidente Campello, e sua possível volta antecipada, conforme anunciado ontem? De um lado, os exemplos de grandeza, entrega, como a bela foto de Bellini, na página do Pensar Vasco, e de cooperação do trabalho secundário de Gandulla; do outro lado, a política do Vasco, a mesquinhez, a não cooperação, os interesses pessoais subalternos, a vã vaidade, para não dizer, a ridícula vaidade, que passam ao largo dos interesses do Vasco. Episódios como esse mostram que muitos da política do Vasco não se importam em apequenar o Clube, em submetê-lo ao ridículo público, importa que o Vasco seja seu, ou que possa “chamar de meu”.

O Vice-presidente não substituir o Presidente, ambos com legitimidade igual, já é uma coisa estranha. Nos órgãos públicos, basta que o presidente tire férias para ser substituído obrigatoriamente pelo vice, mesmo que permaneça no País, morando ao lado da repartição pública. Nas empresas privadas, os arranjos são em prol dos interesses das empresas.

Se o Estatuto do Clube dá margem a interpretações bizarras, isso ocorre devido à arenga dos pequenos grupos da política do Clube. Uma discussão sã pode apontar imprecisões no Estatuto com respeito a conceitos e a princípios. Aparentemente, o Estatuto tratou mais de questões relativas à delegação de tarefas, como prerrogativa do Presidente. Mas presidir o clube é sobretudo uma responsabilidade e não uma tarefa. Isto é, o vice assume segundo a norma, e não pela vontade do presidente. Não ser uma viagem ao exterior de 22 dias caso de assumir o vice equivale a ter, o Vasco, um presidente insubstituível. O que é um absurdo.

A verdade é que o problema é outro. O Vasco é, hoje, conduzido por grupos em briga nos diversos poderes do Clube. Briga por interesses pessoais, briga de poder. São ignoradas questões essenciais, sobre as quais é preciso ter uma discussão, o contraditório, o debate objetivo. E pior, pessoas de bom nível, jovens que podem contribuir com o Clube, estão sob o risco de se tornarem partidários de bandeirinhas, achando que o mal está no vizinho ao lado. Abandonam a análise crítica. Quem sai perdendo com esse conflito de grupos é o Vasco.

É preciso que os grupos briguentos parem de prejudicar o Vasco. E que se unam em torno de um projeto de reformas que sejam acolhidas por um Novo Estatuto. Um esforço para ajudar na superação dos enormes problemas do Clube. Exemplo, a abertura a novos grupos. É esse o desejo da esmagadora maioria dos vascaínos, conforme a Enquete PV-3, realizada em maio, na qual 94,7% dos vascaínos aprovam o Dispositivo que permite novos grupos participar das eleições nos próximos dois pleitos. O Vasco precisa de gandulas e bellinis. E de dinheiro.

Francisco de Assis Moura de Melo

enquete pv

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