Começo de um jogo decisivo. Este texto é o toque inicial de uma tarefa cujo objetivo final é definir a organização da Diretoria de Administração (DA) do CRVG e os processos que lhe são atinentes, com vistas a criar um framework que contribua para aumentar a qualidade das decisões tomadas no Clube. Trata-se de inovação proposta pelo Pensar Vasco, para discussão entre os vascaínos, tendo em vista que a atual estrutura é arcaica, estranha aos preceitos da moderna administração e, consequentemente, desfuncional.

Organização e processos constituem uma condição necessária para a tomada de decisão de boa qualidade. Sendo condição necessária (e não suficiente), a concepção de gestão que o Pensar Vasco elabora requer que seja exercitada, simultaneamente, uma cultura oposta à cultura vigente no Vasco. Uma cultura inovadora, que pode ser expressa nos seguintes marcos para conduta, ao lado dos quais se encontram os seus simétricos que devem ser removidos da vida do Vasco:

  • Decisão Colegiada para substituir Decisão Personalista
  • Profissionalismo no Futebol para substituir Amadorismo no Futebol
  • Obediência às Normas para substituir Práticas Arbitrárias

Agilidade e transparência são objetivos presentes em todas as etapas do trabalho de criação do modelo da Diretoria de Administração. E, como se verá com o novo organograma desse modelo, e com a análise de pontos fundamentais do mesmo, as inovações exigirão um novo arcabouço regulatório, um Novo Estatuto. Na realidade, tudo o que foi (e será) postado e for discutido no Fórum Pensar Vasco será interligado em concepção sistêmica para que, ao final, as diversas peças componham harmônica e consistentemente o modelo Vasco do Século XXI, que é o produto final desse empreendimento.

Organograma atual. A estrutura organizacional do Vasco é rigorosamente horizontal. Compõe-se da Presidência e, abaixo dela, as dezesseis vice-presidências. Estas são responsáveis por áreas as mais díspares, das atividades fins e das atividades meio, com prioridades variadas e cronogramas imaginários de execução indefinida. De acordo com o Art. 97 do Estatuto, a Diretoria deve se reunir pelo menos duas vezes por mês. Então, é esse o colegiado e a forma de atuar para decidir a vida do Clube. É letra morta, nada funciona. Apenas dá margem à gestão com práticas personalistas. O resultado é um modelo de gestão que faz do Vasco um anacronismo no mundo hodierno, mundo onde a liderança é legitimada pelo saber, as decisões são colegiadas e transparentes, baseadas em dados objetivos e conhecimento compartilhado, mundo onde as organizações vencedoras são conduzidas por líderes de líderes.

Um organograma alternativo. O modelo que o Pensar Vasco elabora, e que exporá a debate amplo, fundamenta-se na decisão colegiada, que a teoria da gestão corporativa e as pesquisas mostram ser o mais eficiente. É o que se expressa no organograma que encima este texto. Vê-se que se trata de um organograma bastante simples, com a verticalização das atividades meio, exceto a vice-presidência de Finanças, e do Esporte Amador. E ressalta a atividade fim mais importante, o Futebol. Vejamos algumas particularidades.

Conselho de Administração. Nesse organograma, o Conselho de Administração, formado por vascaínos com conhecimento de diversas áreas do Clube, fica acima do Presidente. Sobressai-se o fato de que o Presidente teria uma função semelhante à de um CEO de uma empresa privada, ou seja, teria a função de executar as diretrizes definidas pelo Conselho de Administração. Destacam-se, para discussão, a proposta de ser o Presidente remunerado por seu trabalho, desde que faça essa opção por ocasião das eleições, e que o Presidente do Conselho de Administração também seja eleito em eleição direta.

Não há vice-presidente de Futebol. O modelo prioriza a profissionalização total da atividade fim mais importante, o Futebol. Assim, não há vice-presidente nessa atividade. As diretrizes seriam dadas por um Comitê do Futebol de funcionamento permanente, composto por profissionais do futebol, um representante da vice-presidência Financeira e um do Planejamento Estratégico, responsável pela produção de dados e informações úteis às decisões do Comitê. Constituiria uma unidade de conta à parte e teria na coordenadoria do Comitê um profissional de mercado, sendo o Diretor de Futebol membro do Comitê e executor das decisões/diretrizes ali definidas. Essa opção é compatível com o Art. 4º Inciso VI da Lei 13.155.

Quanto à verticalização, cabe observar que o modelo comporta manter a totalidade das vice-presidências que existem atualmente. Apenas elas, em dois grupos, se reportariam às 1.ª e 2.ª vice-presidências. O objetivo é tornar a gestão mais ágil, tanto no nível dos dois agrupamentos, quanto no nível das reuniões do Presidente que despacharia com cinco executivos e não com dezesseis.

Comitê da Dívida. Esse comitê seria formado por um grupo pequeno, altamente especializado e com a função de organizar todas as informações relativas à dívida do Clube, bem como de elaborar propostas de reestruturação da dívida Cível e Trabalhista Recente, aquelas assumidas pelo Vasco após o Ato 99 do TST de 2011.

Observe-se, por fim, que os pontos acima são pequenos flashs do tema que deve ser explorado e discutido em sua inteireza e profundidade nos primeiros meses de 2016.

1 Comment On This Topic
  1. Carlos Fonseca
    4 years ago

    Gosto do modelo proposto e faria pequenas alterações, cito algumas: (i) O Conselho de Administração seria uma abstração do que hoje é o Conselho Deliberativo, os quais escolheriam os membros que assumiriam a Presidência e VPs e as medidas e decisões passariam por decisões em assembleias; (ii) o escopo das discussões e decisões do Conselho Deliberativo e do Conselho de Administração se dariam na esfera estratégica, nunca operacional; (iii) o organograma proposto deixaria de contar com VPs e passaria a ser composto apenas por profissionais de mercado, Diretor Presidente, Diretor Corporativo (atividades meio), Diretor de Esportes Amadores, Diretor de Finanças e Diretor de Planejamento; (iv) agregaria a estes as Diretorias (a) Jurídica, com a missão de dar suporte às demais diretorias, cito, por exemplo: Finanças – reconhecer as dívidas judicializadas com ajuda na seleção das mais arriscadas e das que possuem as melhores oportunidades de acordo e, além disso, atentar para as obrigações legais de manutenção no PROFUT; Futebol – minutagem de contratos de jogadores com foco em mitigantes de quebra de contrato, minimizando os potenciais passivos judiciais embutidos nos contratos; (b) de Esportes Olímpicos, com a missão de investir em esportes com mais atratividade de investimentos que os esportes amadores e com potencial retorno em marca; (c) Marketing, com a missão de gerar receitas oriundas dos maiores patrimônios do Clube, sua imagem (patrocínios) e sua torcida (“capital próprio”).

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