Uma análise simples das declarações de todos os lados da briga dos envolvidos na política do Vasco, desde a primeira crise até a de agora, comprova que há uma única causa para todas as crises: a falta de decisão colegiada.

Além da insensibilidade dos litigantes aos diversos indicadores do Vasco, o que espanta é a insensibilidade à manifestação da multidão de vascaínos que expressou sua sabedoria em números inquestionáveis. Mais de 95% (Enquete PV-3) dos vascaínos querem reformas, capacitação técnica e recursos financeiros capazes de livrar o Vasco do abismo. A multidão vascaína quer:

  1. Que o órgão de gestão da Diretoria de Administração seja um Conselho Diretor;
  2. Que haja eleição direta para o Conselho Diretor;
  3. Que brasileiros e portugueses possam compor uma chapa para o Conselho Diretor, nas próximas duas eleições, sem a restrição do tempo de sociedade no Clube.

O resultado da Enquete PV-3 expressa a sabedoria vascaína porque é a manifestação espontânea da multidão capaz de ouvir e entender estrelas porque ama, de verdade, o Vasco. Conselho Diretor, Eleições Diretas e Transparência são conceitos de extrema importância que não deveriam ser aviltados pelos interesses políticos. Cedo ou tarde, quem o faz dá com os burros n’água. Por exemplo, a Transparência é um princípio-guia da gestão, da conduta do gestor.

O gestor que segue esse princípio toma decisões da mesma forma que tomaria se houvesse visibilidade total de seus atos. Por sua vez, Eleição Direta não pode ser reduzida a populismo vulgar, pois o futebol, parte maior do clube, é uma atividade econômica. A eleição direta, um pleito do Pensar Vasco, precisa ser considerada no contexto do modelo completo, que combina urna e dinheiro.

Assim, o que se vê na rinha dos grupos do Vasco é muito palavreado para a plateia e nada de propósito verdadeiro. União, união, e nada de união verdadeira. Com técnicas simples de psicologia experimental, aplicadas ao comportamento dos grupos políticos nas últimas eleições, infere-se que a inviabilidade da união verdadeira nas eleições decorre do fascínio que a ideia do presidente todo poderoso exerce nesses grupos. Um observador à distância vê um tipo de obsessão de ser dono do Vasco.

A manifestação mais patente é a repetição do dito “o regime do Vasco é presidencialista”, em demonstração espontânea de desprezo pela Decisão Colegiada e de negligência na análise dos problemas estruturais que, eventualmente, levem a tal impressão, como as disfuncionalidades dos demais poderes, a mixórdia que é a Diretoria de Administração, um tipo de babel com 16 vice-presidências, e outras fragilidades da organização do Vasco. Esse dito, “o regime é presidencialista”, é o símbolo de Eurico Miranda. Não obstante, foi repetido pelo presidente que o antecedeu e pelo presidente que o sucede.

É importante que se reafirme essa incongruência entre o discurso e a prática. A última campanha foi pródiga em “união das oposições” e repetição de conceitos da moderna administração. Por exemplo, houve muito palavreado sobre Gestão Colegiada, mas não se definiu um Comitê Gestor ad hoc, mesmo na fase de ”união” das chapas Sempre Vasco, Vasco Livre e Identidade Vascaína. Diga-se, não há qualquer proibição estatutária para se criar um Comitê Gestor.

Por que se cuidou apenas da distribuição de cargos, uma salada disforme, desprovida de qualquer espírito de equipe? Pelo motivo óbvio de que os líderes estavam de olho no cargo de “presidente” para exercê-lo nos moldes atuais, afinal “o regime é presidencialista”.

Não se cogita aqui de má-fé, mas de alertar que há um fator subliminar, presente quando se faz união entre grupos antagônicos, derivado da perspectiva de poder total que se atribui ter o presidente do Vasco. Ademais, a concentração do poder pode transformar propósitos bons em maus, principalmente quando exercido na forma atual do Vasco, sem os princípios da Decisão Colegiada, com total negligência a modelos da boa administração, seguido por empresas, pelo Sporting Portugal, pelo Real Madrid.

O Vasco está mergulhado no caos. É preciso razão e não ódio. Punir o Presidente Campello com suspensão de seis meses é atitude diabólica tipo “vamos piorar para melhorar”. “Eleições já” é aventura nefasta ao Vasco. Ambas só agravarão o caos. Nossa opinião é que há duas linhas de conduta que podem atenuar a agonia do Vasco e dá-lhe um tempo e uma esperança.

A primeira é contornar a arenga política suicida, mediante um pacto de sobrevivência. Com metas simples, como tirar o Vasco das páginas policiais, dos filmes deprimentes de “lavagem de roupa suja” na forma de coletiva e do terror das derrotas vergonhosas em campo.

A segunda é atender ao coração e à mente da multidão vascaína. Atender à manifestação gigantesca de 95% dos vascaínos expressa na Enquete PV-3. Decisão Colegiada, mediante o Conselho Diretor como órgão dirigente da Diretoria de Administração, Eleição Direta e abertura para que novos grupos possam compor o Conselho Diretor, nas duas próximas eleições, na linha da Proposta de Reforma do Estatuto do Pensar Vasco.

O futebol é uma atividade econômica que move, direta e indiretamente, em torno de 700 bilhões de dólares. Continua crescendo, enquanto o Vasco está decrescendo. Nos clubes, o modelo é um misto de democracia e plutocracia. Não há espaço para o populismo da “eleições direta”, e sim o desenho profissional que compatibilize a participação ampla do sócio na vida do Clube (não apenas no dia da eleição) com as diretrizes empresariais na condução da atividade econômica futebol. É essa a tradução da sabedoria expressa pela multidão vascaína. Cabe atender aos donos do Vasco.

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